Daniel Gise

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Mente zen, mente de principiante #12

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Essa é a décima segunda tira que estou fazendo, adaptando trechos do livro ‘Mente zen, mente de principiante’ do mestre zen Shunryu Suzuki em formato de história em quadrinhos. Você pode ver todas as anteriores aqui.

Esse capítulo do livro me faz pensar em como estamos habituados a nos identificar com nossas diversas identidades (profissional, pai, mãe, marido, esposa, etc) executando diversas funções dentro de determinados papéis, com objetivos definidos a cumprir. Este habito é tão forte que não podemos imaginar outra forma de viver. Fazemos planos, estabelecemos metas e a vida passa a se resumir a isso: correr atrás da lista de tarefas.

Não conhecendo nada além dessa forma de operar, é natural que a gente busque no budismo ajuda para atingir objetivos: vamos meditar para ficar mais calmos, reduzir o stress, superar a depressão, lidar com uma perda, etc. Queremos um alívio para retornar às nossas atividades de forma mais tranquila ou mais produtiva, para funcionar melhor dentro dos nossos objetivos pessoais. Da perspectiva das identidades os objetivos, planos, metas, são transitórios, restritos e condicionam nossa felicidade: se os alcançamos ficamos bem, se não (a maior parte do tempo) sofremos. Não há problema praticar dessa forma, o que Suzuki aponta é que essa é uma forma limitada de praticar. Na minha interpretação essa seria a prática do buda de barro, bronze e madeira a que Joshu se refere, uma prática com uma meta específica.
Suzuki propõe um outro caminho: “Você pode pensar que, não havendo propósito ou meta em nossa prática, não saberemos o que fazer. Mas existe uma maneira.” É possível acessar e viver a partir de uma perspectiva ampla da realidade.

Ele se refere a natureza de buda, presente em todos os seres. Quando nos prostramos e fazemos reverência em frente a uma imagem do buda, de um um altar, ou na presença de um mestre, é essa natureza de buda que estamos reverenciando, não um buda externo. Como diz um ditado zen: “Se encontrar o buda no caminho, mate-o”. Ou seja, não existe o buda externo, nossa busca é encontrar esse buda interno. Suzuki diz: “Nesse ponto nossa prática é bastante diferente das práticas religiosas usuais”. A imagem do buda, o altar, as pinturas, o templo, tudo isso aponta para uma dimensão sutil que não está separada de quem nós somos.

A natureza de buda representa nossa dimensão livre. Nós não somos nossa personalidade, nossos hábitos, gostos, carma, limitações, corpo físico, gênero e todas as nossas identidades e papéis… a mente é livre, as possibilidades são infinitas. Um exemplo disso é que nós mudamos, nada em nós é fixo. Em uma determinada época éramos de um jeito, tínhamos um sonho, uma visão de mundo, hoje somos diferentes, já fomos crianças, adolescentes, adultos… tudo isso muda. Se essas características fossem fixas, seria impossível mudar.

Suzuki nos ensina o caminho para acessar a natureza de buda: “Quando praticamos zazen (meditação), restringimos ao máximo nossa atividade. (…) Em vez de termos um objeto de devoção, simplesmente nos concentramos na atividade que temos a cada momento. Quando se prostrar, deve apenas prostrar-se, quando se sentar, apenas sentar-se, enquanto come, apenas comer! Desse modo, a natureza universal estará presente”.

PRINT DAS TIRAS MENTE DE PRINCIPIANTE
 foto-tiras
Estão à venda prints das tiras do Mente de Principiante em tamanho grande. Elas são impressas a laser em papel couché fosco 250g/m2, tamanho 42 x 29,7 cm.
Tem duas formas de acessar a lojinha: Pela página do Facebook e pela web (pra quem não tem Facebook)
Qualquer dúvida mande um e-mail: danielgise@gmail.com

One Response to Mente zen, mente de principiante #12

  1. Waho says:

    Muito bom!
    Lindo trabalho, lindas reflexões…
    Gasshow
    Waho

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