Daniel Gise

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Esquece o talento. Desenhar é uma habilidade.

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* Texto publicado no blog do Cinese

Muita gente tem trauma de desenho ou tem vergonha de mostrar os próprios desenhos pros outros. Engraçado isso. Todo mundo nasce desenhando furiosamente, sem a menor preocupação, e aí, lá pelos doze anos, a criança começa a comparar os desenhos com a realidade, fica obcecada pelo realismo, se frustra com os próprios esforços e desiste se sentindo inábil.

O que aconteceu?

Nada. O que acontece é que a habilidade do desenho, da expressão, assim como muitas outras, não é incentivada e nem ensinada no período escolar enquanto o raciocínio lógico é super valorizado nessa fase. 

Do contrário, desenhar é quase como um pecado escolar. Sinônimo de diversão, dispersão, falta de comprometimento com o que “realmente importa”: português, matemática, geografia e história.

Daí, vem uma sensação de que é preciso ter talento pras artes. Não que não haja inclinação, vocação, vontade. Mas muitos de nós não desenvolve habilidades artísticas porque passamos a vida inteira desenvolvendo outras. Só isso.

Dizer “você não tem talento pra desenhar” é igual a dizer “você não tem talento para aprender a ler ou aprender a dirigir”. Desenhar é uma habilidade que pode ser aprendida por qualquer pessoa normal com visão e coordenação motora medianas. 

Erro pensar que é preciso nascer com um dom divino.

Eu nunca tive aulas formais de desenho. Meu pai é ilustrador e desde pequeno desenhar foi uma coisa natural pra mim, permitida, incentivada. Consegui atravessar a fase traumática dos doze anos, continuei desenhando e por isso me desenvolvi. O meu processo foi muito intuitivo, e durante muito tempo só fiz desenhos de observação. Desenhava o que via, meus amigos na escola, e passava um tempão preenchendo folhas com desenhos que me vinham na cabeça. Só bem mais tarde fui mergulhar em técnicas porque eu realmente quis aprender e me aprofundar.

desenhos antigos

Acredito de verdade que desfazer algumas travas adquiridas no passado e entender o desenho de outro jeito são cruciais pra conseguirmos praticar e nos desenvolver. É por isso que não gosto de ensinar a desenhar de uma forma muito técnica e prefiro deixar mais espaço para a intuição, pra que a própria pessoa possa ir descobrindo por si algumas coisas ao invés de, logo de saída, ter regras pra serem observadas.

Dentro desse contexto, organizei a oficina Desbloqueio do Desenho, na Laboriosa 89, Vila madalena, São Paulo, dia 24 de janeiro.

Nela, a Eliza, formada em Facilitação Criativa pela Artéria/PYE, trará algumas atividades pra liberar a criatividade e eu vou poder mostrar o início desse processo de aprendizado, que já é o suficiente para você poder sair praticando. <3

[Gosto de usar muitas das técnicas apresentadas no livro “Desenhando com o lado direito do cérebro” da americana Betty Edwards. Vejo que muitos dos meus alunos gostam da proposta e se desenvolvem bem com ele. É claro que não há um método mágico e a prática é o que realmente vai fazer a diferença]. 🙂

Vamos lá? 

#partiuoficina 

Daniel Gisé é formado em Artes Plásticas pela UNESP (2005) é ilutrador, autor de histórias em quadrinhos e professor dos cursos de desenho artístico, ilustração e histórias em quadrinhos na escola ABRA. Começou a dar aulas em oficinas em 2009, de lá pra cá já deu oficinas em unidades do SESC, Centro Cultural São Paulo/GIbiteca Henfil, Centro da CulturaJudaica, Sistema Municipal de Bibliotecas de São Paulo. 

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