Daniel Gise

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Oficinas Desbloqueio do Desenho

Em 2015 rolaram as primeiras cinco edições da oficina Desbloqueio do Desenho, que facilito junto com a Eliza Mania. Nosso desejo é auxiliar as pessoas a desenvolverem uma prática do desenho de observação, desenvolvendo a percepção, acolhendo sua própria expressão, redescobrindo o prazer de desenhar e que nesse processo tenham uma visão do próprio mundo interno.

Comecei a dar aulas em 2009 e  desde o início senti que as aulas de desenho poderiam ir além do ensino comum das técnicas, que o aprendizado poderia levar não só ao desenvolvimento dessa habilidade, mas que o processo pudesse servir também como uma ferramenta de autoconhecimento, descoberta de significado pra vida e de cultivo de qualidades positivas. Essa oficina surgiu como um primeiro passo nesse sentido.

Eu e a Eliza tivemos algumas conversas sobre criar uma dinâmica diferente para as oficinas, que nos tirasse de um do clima de sala de aula e movimentasse também o corpo, pra gente não ficar preso no nível mental. Ela vinha fazendo formação em Facilitação Criativa pela Artéria/PYE, que trás um trabalho bem interessante de dinâmicas de grupo com exercícios simples para gerar criatividade e decidimos mesclar com os exercícios de desenho.

Em nossas oficinas tem surgido pessoas de várias áreas com interesse no desenho: dança, educação, programação, psicologia, marketing, tatuagem. Elas querem desenhar, mas não sabem como ou nem sabem se seriam capazes de desenvolver essa habilidade.

A dificuldade em desenhar não está distante das dificuldades que temos na vida: a vontade de controlar os resultados das nossas ações, viver no automático, a dificuldade de ver as experiências como novas, se relacionando com elas a partir de experiências passadas, não conseguir enxergar através dos filtros de conceitos que temos, a autocrítica adquirida em alguma experiência no passado e nos assombra no presente. Pasmem: 90% da dificuldade não é motora! O que nós buscamos investigar na oficina é que os bloqueios são internos.

A nossa aposta é que a prática do desenho está acessível a todos, não é privilégio de alguns que nascem com talento. É preciso reaprender que todos somos criativos e podemos desenhar, e a partir daí a habilidade do desenho irá se construir com a prática.

O próxima oficina vai ser no dia 30/01, em São Paulo no espaço d`o lugar em Perdizes. Mais informações e inscrições no site do Cinese. Qualquer dúvida entre em contato: danielgise@gmail.com

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A evolução do desenho na infância

No livro Desenhando com o lado direito do cérebro, da Betty Edwards, tem um capítulo em que ela fala das etapas do desenvolvimento do desenho na infância. Começando com os rabiscos (testando os materiais e suas possibilidades), passando pelo desenvolvimento da percepção de formas e a formação de um repertório gráfico até chegar em um estágio de mais complexidade. Em geral todos nós nos desenvolvemos no desenho até chegarmos aos 10, 11 anos quando surgem os primeiros bloqueios.

Meu pai guardou muitos desenhos que fiz na infância e foi bem interessante observar essas etapas através deles. A seguir, de forma bem resumida, as etapas, ilustradas com desenhos meus e no final um convite para a 4ª edição da oficina Desbloqueio do Desenho que estou conduzindo junto com a Eliza Mania.

Estágio dos rabiscos

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Começa por volta de uma ano e meio de idade. Nós descobrimos a magia de produzir linhas no papel e tínhamos um prazer enorme em simplesmente preenchê-lo com rabiscos de várias cores.

Estágio dos símbolos

Após um período apenas rabiscando fazemos uma descoberta artística importante: descobrimos que símbolos desenhados no papel podem representar coisas que vemos a nossa volta. Com um círculo, dois pontos e um traço na parte de dentro, descobrimos que podemos representar qualquer pessoa. Essa forma é universalmente desenhada pelas crianças.

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Por volta dos 3 anos e meio as imagens ficam mais complexas (refletindo a crescente percepção da criança em relação ao mundo que a cerca). A cabeça passa a ser ligada a um corpo.

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Por volta dos quatro anos as crianças se mostram extremamente cônscias dos detalhes das roupas – botões e zíperes.

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Acima: mãos estrategicamente escondidas atrás do corpo revelam a dificuldade de enfrentar o desafio de desenhar mãos. Abaixo uma caricatura do ex-presidente Figueiredo. Um pouco mais de detalhes nas roupas, na cabeça e surgem as mãos.

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Paisagens

Por volta dos cinco ou seis anos as crianças desenvolvem um conjunto de símbolos para criar uma paisagem. Betty Edwards cita os elementos mais comuns das paisagens: “Em primeiro lugar, o céu e a terra. Em termos simbólicos a criança sabe que a terra fica embaixo e o céu em cima. Assim a terra fica sendo a margem inferior do papel, enquanto o céu, a margem superior”.

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A composição no desenho infantil é muito cuidadosa, cada coisa ocupa o seu devido lugar. Não poderíamos remover nenhum de seus elementos sem causar um desequilíbrio na composição do desenho.

Estágio da complexidade

Aos nove ou dez anos de idade as crianças procuram  acrescentar mais detalhes aos seus desenhos, esperando conseguir mais realismo. A preocupação infantil com “onde as coisas estão” no desenho é substituída pela preocupação com a “aparência das coisas”.

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O estágio do realismo

“Por volta dos dez a onze anos, a paixão das crianças pelo realismo está em seu ápice. Quando os desenhos não saem certos, ou seja, quando não parecem realistas, as crianças geralmente desanimam […] acredito que nessa idade as crianças adorem o realismo porque estão aprendendo a ver. Estão dispostas a se dedicar com grande energia e esforço à tarefa, contanto que os resultados sejam animadores”.

Abaixo, um desenho que fiz aos 11 anos tentando atingir o realismo do desenho de Brian Bolland, na história em quadrinhos “A Piada Mortal”, uma HQ clássica do Batman.

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E aqui começa o nosso bloqueio com o desenho: “a partir da nossa infância, aprendemos a ver as coisas em termos de palavras: damos-lhes nomes e ficamos sabendo fatos a seu respeito. O sistema verbal, dominante, não quer informações em demasia sobre as coisas que percebe – apenas o suficiente para reconhecer e categorizar. Isto é um processo necessário e que funciona muito bem para nós quase o tempo todo, permitindo-nos concentrar a nossa atenção. Mas, para desenhar é necessário que você olhe para o que pretende desenhar por um tempo prolongado, percebendo detalhes e a maneira de se encaixarem”.

Precisaríamos de instruções focadas a desenvolver a percepção visual, com exercícios específicos. Mas como a habilidade do desenho não é (até o momento) considerado uma habilidade essencial para a nossa sobrevivência como adultos, essa habilidade é negligenciada. As crianças se sentem frustradas com seus esforços e terminam abandonando o desenho por se sentirem incapazes de seguir se desenvolvendo.

Se você se interessa em desenvolver essa habilidade, venha fazer a oficina Desbloqueio do Desenho! Veja mais informações e faça inscrição pelo Cinese.

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Painel para o Sesc Carmo

Painel produzido para a sala de leitura do Sesc Carmo. Dimensões: 11 x 1,43 m  Material: impressão sobre vinil adesivo.

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Exposição ‘Desvio’ – 28 de março a 25 de abril

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Criada pelo quadrinhista Daniel Gisé para o projeto “Mil” do selo Cachalote, “Desvio” é uma História em Quadrinhos sem texto, um thriller ambientado nos anos 50, cheio de ação e reviravoltas. Além da própria HQ, a exposição conta com originais, rascunhos e desenhos da produção que mostram o processo de criação do trabalho.

Visite a Exposição: de 28 de março a 25 de abril de 2015 (entrada franca).
Endereço: R. Áurea, 198.
Horários: Seg – Qui: 08h30 – 21h30 / Sex: 08h30 – 19h45 / Sáb: 08h30 – 14h30
Telefone: 3564-2696
Participe da Palestra: 14/04 às 19h30 – O artista falará sobre a História “Desvio”, suas influências e o processo de contar histórias com imagens. Investimento da Palestra: R$ 20,00.  Inscrições até 11/04 – Vagas limitadas!

TEXTO DA EXPOSIÇÃO

‘Desvio’ surgiu a partir da minha paixão pelos clássicos das histórias em quadrinhos. A primeira faisca criativa me veio quando eu estava lendo uma história em quadrinhos do personagem Rip Kirby (publicado no Brasil com o nome Nick Holmes), personagem criado pelo mestre Alex Raymond em 1946. Rip Kirby é um detetive, um homem sério, sóbrio, sempre correto, o esteriótipo de um herói daquela época. Durante a leitura me ocorreu criar um personagem assim mas que tivesse algum tipo de conduta repreensível para a época e brincar com este esteriótipo. Assim surgiu o personagem principal de ‘Desvio’.

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O enredo de ‘Desvio’ é uma história de ficção científica, nos moldes das que surgiam no início dos anos 1950 nos Estados Unidos. Foi um período muito fértil para os quadrinhos. Nessa época as vendas de revistas de HQ atingiram picos que nunca mais atingiriam novamente. Para disputar este mercado os bons editores e os oportunistas, buscavam algo que chamasse a atenção do leitor. Os artistas tentavam se superar nas criações de capas impactantes. Os autores que produziam no gênero de terror e ficção científica tentavam produzir histórias cada vez mais mais estranhas e finais inusitados. No gênero policial, as histórias ficavam cada vez mais violentas e chocantes.

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Nesse cenário surgiu a editora EC publicando HQs de alto nível com um grande time de quadrinhistas: Al Feldstein, Jack Davis, Wally Wood, Harvey Kurtzman (criador da Mad Magazine), Frank Frazetta e muitos outros.

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A capa desde título da editora EC foi uma das fontes de inspiração. O título da revista é ‘Fantasia Estranha’ e na chamada um cientista, com a ajuda de uma máquina, conversa com um cérebro conservado vivo dentro de um vidro.
Foi trabalhando com este imaginário, com esse estilo de desenho realista bem datado que criei ‘Desvio’. Minha idéia inicial era fazer uma HQ longa, entre 45 e 60 páginas, com texto. Fui trabalhando o roteiro, criando a ambientação de uma cidade dos anos 50, o personagem principal que está prestes a casar, em ascensão na carreira de investigador e paralelamente um experimento científico com o objetivo de acabar com a criminalidade e criar uma sociedade perfeita, que sai dos eixos e começa a ter o efeito contrário. Uma das primeiras vítimas é o personagem principal.

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O roteiro ficou parado por meses até surgir o convite do Rafael Coutinho para o Projeto Mil. A proposta era convidar autores para criar histórias em quadrinhos sem texto. Essa é a essência dos quadrinhos: criar histórias com imagens em sequencia. Porém sem a precisão narrativa do texto a história deixa espaços para interpretação e lança um convite para que o leitor participe da história. Achei que o roteiro que eu tinha se encaixaria no projeto, a história foi condensada e a ausência do texto deixou uma aura de mistério em vários pontos da história.

A maioria das referências que utilizei para os desenhos vieram de filmes da época.

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O projeto começou como uma publicação independente. Cada HQ foi publicada como uma revista independente. Em 2011 a HQ foi incluida em uma coletânea publicada pela editora Barba Negra com os seis primeiros autores a participar do projeto, o resultado foi o livro 1000-1.
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Oficina Desbloqueio do Desenho – 2ª Edição

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Acontece agora em março a 2ª edição da oficina “Desbloqueio do Desenho” que faço junto com a Eliza Mania, formada em Facilitação Criativa pela PYE Global.

Inscrições pelo site do Cinese: www.cinese.me/encontros/desbloqueio-do-desenho–2

Sobre o encontro:

Existe a crença de que para desenhar é necessário ter nascido com um talento especial. A boa notícia é que isso não é verdade! Desenhar é uma habilidade que se aprende e se desenvolve com a prática.

Ao contrário do que se pode imaginar, a dificuldade não é uma questão de habilidade motora mas está ligada com a forma como enxergamos as coisas ao nosso redor. Aprender a desenhar é também aprender a ver.

O objetivo principal da oficina não é ensinar técnicas de desenho e sim reconhecer o bloqueio do nosso olhar e encontrar formas de lidar com ele, ampliando nossa capacidade de observação e abrindo o caminho para a prática do desenho no cotidiano.
Então, mãos à obra!

O que vamos praticar:

  • Desenho invertido
  • Espaço negativo
  • Desenho cego
  • Desenho de memória
  • Desenho de observação

O que vamos aprender:

  • Quais são nossos bloqueios e como enxergar além deles
  • Desenvolver nossa percepção: enxergar contornos, espaços negativos, enxergar formas
  • Aumentar a autoconfiança artística
  • Desenvolver o potencial criativo

Duração: 4 horas

Pra quem é o encontro?

Qualquer pessoa interessada em desenho ou que queira avançar nesta prática de uma forma menos restritiva. A idade sugerida é acima de 16 anos.

Material:
Material incluso.

Facilitadores:

Daniel Gisé

Formado em Artes Plásticas pela UNESP, professor nos cursos de desenho artístico, histórias em quadrinhos e ilustração da escola ABRAé autor de histórias em quadrinhos, publica a tira ‘Mente Zen’ no site Papo de Homem.
Site: www.danielgise.com

Eliza Mania
Formada em comunicação, gestora no Instituto Harmonia, facilitadora criativa pela Artéria/ PYE Global

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Esquece o talento. Desenhar é uma habilidade.

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* Texto publicado no blog do Cinese

Muita gente tem trauma de desenho ou tem vergonha de mostrar os próprios desenhos pros outros. Engraçado isso. Todo mundo nasce desenhando furiosamente, sem a menor preocupação, e aí, lá pelos doze anos, a criança começa a comparar os desenhos com a realidade, fica obcecada pelo realismo, se frustra com os próprios esforços e desiste se sentindo inábil.

O que aconteceu?

Nada. O que acontece é que a habilidade do desenho, da expressão, assim como muitas outras, não é incentivada e nem ensinada no período escolar enquanto o raciocínio lógico é super valorizado nessa fase. 

Do contrário, desenhar é quase como um pecado escolar. Sinônimo de diversão, dispersão, falta de comprometimento com o que “realmente importa”: português, matemática, geografia e história.

Daí, vem uma sensação de que é preciso ter talento pras artes. Não que não haja inclinação, vocação, vontade. Mas muitos de nós não desenvolve habilidades artísticas porque passamos a vida inteira desenvolvendo outras. Só isso.

Dizer “você não tem talento pra desenhar” é igual a dizer “você não tem talento para aprender a ler ou aprender a dirigir”. Desenhar é uma habilidade que pode ser aprendida por qualquer pessoa normal com visão e coordenação motora medianas. 

Erro pensar que é preciso nascer com um dom divino.

Eu nunca tive aulas formais de desenho. Meu pai é ilustrador e desde pequeno desenhar foi uma coisa natural pra mim, permitida, incentivada. Consegui atravessar a fase traumática dos doze anos, continuei desenhando e por isso me desenvolvi. O meu processo foi muito intuitivo, e durante muito tempo só fiz desenhos de observação. Desenhava o que via, meus amigos na escola, e passava um tempão preenchendo folhas com desenhos que me vinham na cabeça. Só bem mais tarde fui mergulhar em técnicas porque eu realmente quis aprender e me aprofundar.

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Acredito de verdade que desfazer algumas travas adquiridas no passado e entender o desenho de outro jeito são cruciais pra conseguirmos praticar e nos desenvolver. É por isso que não gosto de ensinar a desenhar de uma forma muito técnica e prefiro deixar mais espaço para a intuição, pra que a própria pessoa possa ir descobrindo por si algumas coisas ao invés de, logo de saída, ter regras pra serem observadas.

Dentro desse contexto, organizei a oficina Desbloqueio do Desenho, na Laboriosa 89, Vila madalena, São Paulo, dia 24 de janeiro.

Nela, a Eliza, formada em Facilitação Criativa pela Artéria/PYE, trará algumas atividades pra liberar a criatividade e eu vou poder mostrar o início desse processo de aprendizado, que já é o suficiente para você poder sair praticando. <3

[Gosto de usar muitas das técnicas apresentadas no livro “Desenhando com o lado direito do cérebro” da americana Betty Edwards. Vejo que muitos dos meus alunos gostam da proposta e se desenvolvem bem com ele. É claro que não há um método mágico e a prática é o que realmente vai fazer a diferença]. :)

Vamos lá? 

#partiuoficina 

Daniel Gisé é formado em Artes Plásticas pela UNESP (2005) é ilutrador, autor de histórias em quadrinhos e professor dos cursos de desenho artístico, ilustração e histórias em quadrinhos na escola ABRA. Começou a dar aulas em oficinas em 2009, de lá pra cá já deu oficinas em unidades do SESC, Centro Cultural São Paulo/GIbiteca Henfil, Centro da CulturaJudaica, Sistema Municipal de Bibliotecas de São Paulo. 

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Retratos 2ª Temporada

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Desde 2014 tenho feito temporadas de retrato pela minha página do Facebook. Os retratos são feitos a preços acessíveis a partir de fotos que as pessoas enviam por e-mail. Este ano fiz os retratos com pincel e tinta nankin. Veja alguns dos retratos que rolaram este ano:

Rodrigo face

dani face

 

roger face

eliza com foto face

 

wolvie face

Pra encomendar um retrato mande um e-mail: danielgise@gmail.com

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Site novo

2015, site novo! Essa já é a 7ª versão. Veja abaixo todas as versões anteriores, com exceção da terceira que desapareceu e aparentemente não está em nenhum backup :-(